
EPOCÁ DOS GRANDES BAILES
Pode acreditar, no meio da década de setenta, algumas danceterias aqui do Brasil viravam suas antenas para um ritmo que estava consagrado nos EUA como Funk , e realizavam os primeiros bailes, reunindo sempre centenas de pessoas nas famosas festas Hi-Fi (aqueles vitrolões valvulados). Vou citar aqui a época dos grandes bailes no Canecão e nos subúrbios cariocas. Big Boy, Ademir, Cidinho Cambalhota, Mr. Funk Santos e Messiê Limá eram os nomes mais respeitados. Eles influenciaram uma geração. Messiê Limá era o rei das gatinhas très jolies de Copacabana, um dos primeiros DJs a inflamar os bailes de subúrbio e zona sul carioca. Nesta época, a paulistana Lady Zu era a musa dos bailes com o seu funk "Hora de União" e as equipes mais conhecidas que existiam eram Soul Grand Prix e Furacão 2000 entre outras.
Mas no início dos anos 80 a sonoridade "Funk" estava sumindo para dar lugar ao Miami Bass. De maneira equivocada o nome do ritmo não mudou. O que sobrou dessa transformação foram as batidas graves do Miami Bass que até hoje sobrevive na cidade americana mais visitada pelos turistas brasileiros. Pois é, Miami é o maior centro de produção musical neste estilo.
O engenheiro de som Carlos Machado (DJ Nazz, conhecido pela rapaziada das antigas como Carlinhos Nazista) é o responsável pela maior parte dos funks que chegaram no Brasil. Ele me contou que conhece as história de cada disco. A propósito a costumeira batida "808 Volt Mix" foi trazida por ele.
Mas porque, diabos, ainda chamamos este estilo de funk ? Veja bem! O Miami Bass foi absorvido pelas equipes que tocavam Funk Soul daí a mídia passou a classificar tudo que é do subúrbio com um termo só. Mas se você quiser saber sobre esse rito de passagem do Funk de James Brown e George Clinton para o Funk Carioca, aqui vai a dica: procure pessoas como Osni Silva, Oseas dos Santos ou Wanderley Pimentel (o Maks Peu), Samuel e Funk Gil. Já deu pra perceber que o funk carioca é apenas uma derivação do miami bass americano, né? O Funk Carioca é uma espécie de "irmão" de estilos como o Dancehall jamaicano e o Gangsta Rap americano: música barata e caseira, produzida graças ao barateamento derivado dos meios eletrônicos, feita por pessoas ligadas a uma camada mais pobre de suas respectivas sociedades e baseada numa base rítmica pesada (daí o apelido de "Pancadão" que se costuma dar ao estilo) e bem grave, e que recorre a temas que encaixam ao público-alvo, como sexo, violência policial, o deslumbramento com carros modernos e artigos de luxo etc. O Miami Bass, "pai" do funk carioca, se baseava nos mesmos temas. No final dos anos 80, graças a idéia de Cidinho Cambalhota , o Miami Bass foi se nacionalizando, com letras em português. O público dos bailes sempre inventava uma letra para o lugar daquelas em inglês que não conseguia entender. Os funkeiros batizavam algumas músicas de "melô disso ou daquilo" e inventavam um refrão em português. Vale lembrar que o termo "melô" veio da Rádio Mundial. Nessa época o maior sucesso era 2 Live Crew com a faixa "Do Wah Diddy". O primeiro funk carioca com letra em portugues a virar sucesso foi uma versão de "Do Wah Diddy" que era cantada por Abdullah, mas em 1980 já se tinha feito um rap chamado "melô do tagarela", uma versão de Rappers Delight feita por Miele, mas esse não ficou destacado por que o termo "rap" ainda não tinha chegado aqui na época.
Bah, no início era assim mesmo. Era o chamado de "Miami Batidão" e seus samples clássicos são utilizados até hoje pela onipresente Furacão 2000 , equipe cuja história se confunde com a própria história do funk no Brasil. Nas versões atuais, a voz desafinada dos funkeiros são sobrepostas aos antigos samples que causam nostalgia a qualquer um que viveu os bailes dos anos 80 -- um exemplo disso é a música de Ice T "What Ya Wanna Do".
Além da Furacão 2000, você não pode falar em funk carioca sem lembrar do DJ Marlboro , que também está a quase 20 anos tocando e representando o estilo e lançou várias modas para várias gerações com seu Funk Brasil e Big Mix. Na história do Funk, ele é considerado da nova geração. . Marlboro conta que no início só ouvia música italiana, até que um certo dia, ouviu no rádio de um amigo o programa Cidade Disco Club (de Ivan Romero e Carlos Townsend - referências de uma geração), onde só tocava músicas que ele não conhecia, e que mesmo com o locutor anunciando três, ou quatro ele só ouvia uma. Como era possível? Depois ficou sabendo que era iludido pelas mixagens, que davam a impressão de uma música só, sem intervalos. Pronto! Foi mordido pela vontade de fazer aquilo também. Daí em diante, mesmo sem o consentimento da mãe, Marlboro passou frequentar bailes para ir se familiarizando com os ritmos. DJ Nazz fazia baile no Pachecos FC e Marlboro os freqüentava. Foi lá que ele ganhou o apelido de Marlboro pela rapaziada. Tempos depois o Zezinho, um amigo, fez uma danceteria na garagem de casa e chamou Marlboro para tocar lá. O nome da danceteria era Saveiro Dance House . Ele tocava charm, e inclusive chegou a fazer um programa desse estilo na rádio Tropical FM levado pelas mãos do DJ Markão, da Music Rio que era seu grande amigo e incentivador. Como ele não conseguiu emplacar como DJ de charm, como o Corello DJ, ele foi tocar Miami Bass. Dez anos depois foi considerado na mídia o rei do "scratch". Isso mesmo. Em 1990, Marlboro foi o primeiro brasileiro a participar do cobiçado toca-discos folheado a ouro no campeonato DMC (Disco Mix Club) em Londres. Nessa época, Marlboro mandava seus bailes em Niterói na equipe Gran Rio 2 e tinha seu programa na Tropical FM , que era um dos líderes de audiência no horário. Como tinha poucos discos, Marlboro tocava na rádio com vinis emprestados de amigos como: Nazista, Julinho (1º DJ brasileiro a fazer o scratch), Markão, Eduardo da Duda's Disco Funk e da Gran Rio, discoteca que era do Sr. Milton pai do MC Batata .
O DJ também aprendeu muitas técnicas de mixagens com os paulistas do Dynamic Duo e noções de compasso e programação das baterias DR 110 e 220 e Roland 707 com Edil da Music Rio. Edil foi o 1º DJ a tocar com um teclado - um Korg mod. Poly 800 - ao vivo no Baile do Olaria (note que todos estes nomes citados são os verdadeiros pais do funk carioca). A faixa mais tocada nos bailes era 2 Live Crew . Depois na RPC ele saiu pro Hype (coisa popular) Marlboro fez o funk carioca virar esso que é hoje, hahaaa ( Tchobóifrem)
Bom... Mas voltando ao funk carioca, os bailes funks são realizados nas comunidades por equipes de som que montam todo um aparato sonoro para fazer você dançar. As primeiras equipes de som que surgiram foi Soul Grand Prix, Furacão 2000, A Cova, Pipo's, e Cash Box. Até no meio da década de 90, o Funk Carioca era mal visto e desconhecido para o público em geral. Nesses bailes, gangues rivais se encontravam e realizavam um festival de violência com socos e chutes coreografados com a batida. Em 1992, os bailes funks foram proibidos definitivamente pelas autoridades do Rio de Janeiro devido a uma apresentação da Furacão 2000 e da Cash Box no Maracanazinho que resultou em briga generalizada e depredação do estádio. Mas em 1994, o Funk fez um retorno significativo e assim começou a cair no gosto de algumas pessoas. Tocavam basicamente rap, montagem, melody, mid back e charm. Eram bailes bastante animados, divertidos e tumultuados. Para alguns, o Funk agoniza, sem saber. A ganância e irresposabilidade de alguns fazem dele o passaporte para o inferno. Por causa disso, em 1999, os bailes funk sofreram uma forte pressão da mídia e das autoridades, que criaram uma CPI , que apurou várias irregularidades entre os funkeiros, cantores e empresários. Nesta época, Zezinho , dono da ZZ Discos (empresa que rege várias equipes de som na Baixada) chegou a ser preso, assim como Rômulo Costa da Furacão 2000.
Pode acreditar, no meio da década de setenta, algumas danceterias aqui do Brasil viravam suas antenas para um ritmo que estava consagrado nos EUA como Funk , e realizavam os primeiros bailes, reunindo sempre centenas de pessoas nas famosas festas Hi-Fi (aqueles vitrolões valvulados). Vou citar aqui a época dos grandes bailes no Canecão e nos subúrbios cariocas. Big Boy, Ademir, Cidinho Cambalhota, Mr. Funk Santos e Messiê Limá eram os nomes mais respeitados. Eles influenciaram uma geração. Messiê Limá era o rei das gatinhas très jolies de Copacabana, um dos primeiros DJs a inflamar os bailes de subúrbio e zona sul carioca. Nesta época, a paulistana Lady Zu era a musa dos bailes com o seu funk "Hora de União" e as equipes mais conhecidas que existiam eram Soul Grand Prix e Furacão 2000 entre outras.
Mas no início dos anos 80 a sonoridade "Funk" estava sumindo para dar lugar ao Miami Bass. De maneira equivocada o nome do ritmo não mudou. O que sobrou dessa transformação foram as batidas graves do Miami Bass que até hoje sobrevive na cidade americana mais visitada pelos turistas brasileiros. Pois é, Miami é o maior centro de produção musical neste estilo.
O engenheiro de som Carlos Machado (DJ Nazz, conhecido pela rapaziada das antigas como Carlinhos Nazista) é o responsável pela maior parte dos funks que chegaram no Brasil. Ele me contou que conhece as história de cada disco. A propósito a costumeira batida "808 Volt Mix" foi trazida por ele.
Mas porque, diabos, ainda chamamos este estilo de funk ? Veja bem! O Miami Bass foi absorvido pelas equipes que tocavam Funk Soul daí a mídia passou a classificar tudo que é do subúrbio com um termo só. Mas se você quiser saber sobre esse rito de passagem do Funk de James Brown e George Clinton para o Funk Carioca, aqui vai a dica: procure pessoas como Osni Silva, Oseas dos Santos ou Wanderley Pimentel (o Maks Peu), Samuel e Funk Gil. Já deu pra perceber que o funk carioca é apenas uma derivação do miami bass americano, né? O Funk Carioca é uma espécie de "irmão" de estilos como o Dancehall jamaicano e o Gangsta Rap americano: música barata e caseira, produzida graças ao barateamento derivado dos meios eletrônicos, feita por pessoas ligadas a uma camada mais pobre de suas respectivas sociedades e baseada numa base rítmica pesada (daí o apelido de "Pancadão" que se costuma dar ao estilo) e bem grave, e que recorre a temas que encaixam ao público-alvo, como sexo, violência policial, o deslumbramento com carros modernos e artigos de luxo etc. O Miami Bass, "pai" do funk carioca, se baseava nos mesmos temas. No final dos anos 80, graças a idéia de Cidinho Cambalhota , o Miami Bass foi se nacionalizando, com letras em português. O público dos bailes sempre inventava uma letra para o lugar daquelas em inglês que não conseguia entender. Os funkeiros batizavam algumas músicas de "melô disso ou daquilo" e inventavam um refrão em português. Vale lembrar que o termo "melô" veio da Rádio Mundial. Nessa época o maior sucesso era 2 Live Crew com a faixa "Do Wah Diddy". O primeiro funk carioca com letra em portugues a virar sucesso foi uma versão de "Do Wah Diddy" que era cantada por Abdullah, mas em 1980 já se tinha feito um rap chamado "melô do tagarela", uma versão de Rappers Delight feita por Miele, mas esse não ficou destacado por que o termo "rap" ainda não tinha chegado aqui na época.
Bah, no início era assim mesmo. Era o chamado de "Miami Batidão" e seus samples clássicos são utilizados até hoje pela onipresente Furacão 2000 , equipe cuja história se confunde com a própria história do funk no Brasil. Nas versões atuais, a voz desafinada dos funkeiros são sobrepostas aos antigos samples que causam nostalgia a qualquer um que viveu os bailes dos anos 80 -- um exemplo disso é a música de Ice T "What Ya Wanna Do".
Além da Furacão 2000, você não pode falar em funk carioca sem lembrar do DJ Marlboro , que também está a quase 20 anos tocando e representando o estilo e lançou várias modas para várias gerações com seu Funk Brasil e Big Mix. Na história do Funk, ele é considerado da nova geração. . Marlboro conta que no início só ouvia música italiana, até que um certo dia, ouviu no rádio de um amigo o programa Cidade Disco Club (de Ivan Romero e Carlos Townsend - referências de uma geração), onde só tocava músicas que ele não conhecia, e que mesmo com o locutor anunciando três, ou quatro ele só ouvia uma. Como era possível? Depois ficou sabendo que era iludido pelas mixagens, que davam a impressão de uma música só, sem intervalos. Pronto! Foi mordido pela vontade de fazer aquilo também. Daí em diante, mesmo sem o consentimento da mãe, Marlboro passou frequentar bailes para ir se familiarizando com os ritmos. DJ Nazz fazia baile no Pachecos FC e Marlboro os freqüentava. Foi lá que ele ganhou o apelido de Marlboro pela rapaziada. Tempos depois o Zezinho, um amigo, fez uma danceteria na garagem de casa e chamou Marlboro para tocar lá. O nome da danceteria era Saveiro Dance House . Ele tocava charm, e inclusive chegou a fazer um programa desse estilo na rádio Tropical FM levado pelas mãos do DJ Markão, da Music Rio que era seu grande amigo e incentivador. Como ele não conseguiu emplacar como DJ de charm, como o Corello DJ, ele foi tocar Miami Bass. Dez anos depois foi considerado na mídia o rei do "scratch". Isso mesmo. Em 1990, Marlboro foi o primeiro brasileiro a participar do cobiçado toca-discos folheado a ouro no campeonato DMC (Disco Mix Club) em Londres. Nessa época, Marlboro mandava seus bailes em Niterói na equipe Gran Rio 2 e tinha seu programa na Tropical FM , que era um dos líderes de audiência no horário. Como tinha poucos discos, Marlboro tocava na rádio com vinis emprestados de amigos como: Nazista, Julinho (1º DJ brasileiro a fazer o scratch), Markão, Eduardo da Duda's Disco Funk e da Gran Rio, discoteca que era do Sr. Milton pai do MC Batata .
O DJ também aprendeu muitas técnicas de mixagens com os paulistas do Dynamic Duo e noções de compasso e programação das baterias DR 110 e 220 e Roland 707 com Edil da Music Rio. Edil foi o 1º DJ a tocar com um teclado - um Korg mod. Poly 800 - ao vivo no Baile do Olaria (note que todos estes nomes citados são os verdadeiros pais do funk carioca). A faixa mais tocada nos bailes era 2 Live Crew . Depois na RPC ele saiu pro Hype (coisa popular) Marlboro fez o funk carioca virar esso que é hoje, hahaaa ( Tchobóifrem)
Bom... Mas voltando ao funk carioca, os bailes funks são realizados nas comunidades por equipes de som que montam todo um aparato sonoro para fazer você dançar. As primeiras equipes de som que surgiram foi Soul Grand Prix, Furacão 2000, A Cova, Pipo's, e Cash Box. Até no meio da década de 90, o Funk Carioca era mal visto e desconhecido para o público em geral. Nesses bailes, gangues rivais se encontravam e realizavam um festival de violência com socos e chutes coreografados com a batida. Em 1992, os bailes funks foram proibidos definitivamente pelas autoridades do Rio de Janeiro devido a uma apresentação da Furacão 2000 e da Cash Box no Maracanazinho que resultou em briga generalizada e depredação do estádio. Mas em 1994, o Funk fez um retorno significativo e assim começou a cair no gosto de algumas pessoas. Tocavam basicamente rap, montagem, melody, mid back e charm. Eram bailes bastante animados, divertidos e tumultuados. Para alguns, o Funk agoniza, sem saber. A ganância e irresposabilidade de alguns fazem dele o passaporte para o inferno. Por causa disso, em 1999, os bailes funk sofreram uma forte pressão da mídia e das autoridades, que criaram uma CPI , que apurou várias irregularidades entre os funkeiros, cantores e empresários. Nesta época, Zezinho , dono da ZZ Discos (empresa que rege várias equipes de som na Baixada) chegou a ser preso, assim como Rômulo Costa da Furacão 2000.
O Funk do ano 2000 Atualmente, o Funk Carioca mudou muito. O erotismo veio para salvar o funk do excesso de violência , onde passou a ter um conteúdo das letras onde se percebe o mesmo machismo de sempre só que com uma característica eletrônica. A cultura do Funk Carioca agora carrega em si uma índole libertária que não se explica através de teorias, mas sim através do ritmo e do balanço do corpo. Com certeza, as pessoas que nunca curtiram funk, que hoje ficam eufóricas quando se bota a Melô do Popozão , não estão buscando uma qualidade musical refinada, mas sim, soltar o corpo ao escracho, e reinventar o ridículo, para transformá-lo em algo, até, refinado. E a indústria cultural se apropria dos valores que vendem. E as pessoas assumem que o que está vendendo é bom, é moda, o ritmo é contagiante e a letra não merece muita atenção. É o mesmo machismo que utiliza o corpo da mulher para vender automóveis e cervejas. É um sistema que banaliza e trata a mulher como objeto.
Cada vez que vejo essas materias atuais sobre o que eles dizem ser funk aumenta a saudade do funk antigo ou seja o verdadeiro funk.
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